13.7.09

Mas o Corinthians...

...não era o melhor do mundo?

8.7.09

Da sub-21 para a seleção principal

O Guardian fez uma lista interessante nesta quarta. Aquela dos jogadores campeões europeus sub-21 que conseguiram chegar a defender as seleções principais de seus países. Tem bastante gente conhecida, mas também um monte de “flops” que ficaram no caminho. O rol é legal para se ver como o sucesso nas divisões de base (mesmo na seleção) está longe de ser uma certeza de sucesso devido à continuação do desenvolvimento físico e psicologico do jogador até pelo menos os 23 anos.Outros pontos interessantes são a ausência da Alemanha e de Portugal da lista de vencedores.

Iugoslávia (1978): Stojanovic, Vujkov, Zajec, Stojkovic, Bogdan, Krmpotic, Bosnjak, Halilhodzic (hoje treinador da Costa do Marfim), Klincarski, Desnica, Sliskovic, Obradovic, Savic.

União Soviética (1980): Tchanov, Kaplun, Baltacha, Darasselia, Susloparov, Bal, Khapsalis, Petrakov, Khachatryan (Armenia), Shengelia, Prudnikov, Novikov, Gassaev. (Tchanov, Baltacha, Darasselia, Bal, Shengelia, estavam na seleção que enfrentou o Brasil na Copa de 1982).

Inglaterra (1982): Thomas, Fenwick, Lee, Duxbury, Goddard.

Inglaterra (1984): Bailey, Sterland, Pickering, Stevens, Bracewell, Watson, Wallace, Hateley, Hodge, Thomas, Chamberlain.

Espanha (1986): Ablanedo, Solana, Sanchez Flores, Sanchis, Andrinua, Caldere, Francisco Llorente, Eusebio, Pardeza, Roberto, Olaya, Gallego, Juan Carlos, Vazquez.

França (1988): Silvestre (não, não é o do Man Utd), Despeyroux, Roche (PSG), Sauzee, Paille, Guerin (PSG), Cantona (Leeds e Man Utd), Martini, Passi, Dogon, Blanc (atual técnico do Bordeaux e campeão mundial em 1998).

União Soviética (1990): Kiriakov, Sidelnikov, Pozdniakov, Kanchelskis (depois jogador do Man Utd e Fiorentina), Shalimov (Inter de Milão, Udinese, Bologna e Napoli), Kobelev, Dobrovolski (Genoa e Atletico Madrid), Kolyvanov (Bologna), Mostovoi (Celta Vigo).

Itália (1992): Favalli (sim, o do Milan), Dino Baggio (Parma e Lazio), Melli (Parma), Albertini (também do Milan).

Itália (1994): Toldo (Inter de Mlão), Cannavaro (Parma, Juve, Real Madrid), Panucci (Milan, Inter, Roma, Chelsea, Monaco), Inzaghi ( Milan e Juventus).

Itália (1996): Panucci (Milan, Inter, Roma, Chelsea, Monaco), Nesta (Milan e Lazio), Cannavaro (Parma, Juve, Real Madrid), Tommasi (Roma), Totti (Roma).

Espanha (1998): Salgado (Michel, o que quebrou o brasileiro Juninho antes da Copa, hoje no Real Madrid), Garcia Calvo, Ito, Guti (a mala do Real).

Itália (2000): Abbiati (Milan), Grandoni (Lazio, Samp, Livorno), Ferrari (Roma, Everton, Inter), Gattuso (Milan, Salernitana, Rangers, Perugia), Baronio (Lazio, Reggina), Pirlo (Milan e Inter).

República Tcheca (2002): Cech (Chelsea), Jiranek, Vorisek, Grygera (Ajax, Sevilla e Juventus), Zelenka, Polak, Baros (Liverpool, Lyon), Vachousek, Pitak, Rozehnal (PSG e Lazio), Hubschman (Shakhtar), Skacel.

Itália (2004): Amelia (Livorno, Palermo), Bonera (Parma e Milan), Zaccardo (Palermo e Wolfsburg), De Rossi (Roma), Palombo (Samp), Gilardino (Parma, Milan e Fiorentina), Barzagli (Palermo, Wolfsburg, Chievo), Brighi (Roma, Parma), Mesto (Reggina).

Holanda (2006): Vlaar (Feyenoord), Emanuelson (Ajax), De Zeeuw (Wigan), Schaars, Hofs, Huntelaar (Real Madrid e Ajax), Castelen (Feyenoord).

Holanda (2007): Maduro (Ajax, Atletico Madrid), Drenthe (PSV, Real Madrid, Fiorentina?), Babel (Ajax e Liverpool).

6.7.09

Corinthians, o melhor do mundo...II?

Não tive tempo de escrever sobre a decisão da Copa do Brasil na semana passada. Mas a assisti. Não houve jogo. O Corinthians comandou o show e humilhou o Internacional, que é chamado (e auto-intitulado) de "o melhor time do Brasil" há três ou quatro anos. Não haveria modo mais crasso de desnudar a essência deste time do Inter. É um bom elenco, sem dúvida. Tem dois ou três ótimos jogadores, como Nilmar e D'Alessandro. Mas é o time mais sobrevalorizado do país desde o São Paulo de Kaká, o "Real Madrid do Morumbi".

Eu, sinceramente acho que o Inter será campeão brasileiro. Não, não é uma contradição. Não acho que o Inter seja "o melhor time do Brasil", mas tenho certeza de que é um dos elencos capazes de lutar pela ponta. Além dissom tem dinheiro e está focado. Só precisa fazer algumas coisas que insiste em não fazer há anos, como tomara real consciência da qualidade de seus jogadores, aprender a jogar defensivamente também e se desfazer da quantidade industrial de reservas no grupo.

Exemplo: Guiñazu é um ótimo jogador para o futebol brasileiro. Na Itália, poderia atuar no Livorno ou no Parma. Na Espanha, no Deportivo. Na melhor das hipóteses, disputaria posição no Porto, em Portugal. Kléber é um lateral razoável, só que não consegue ser vendido nem com toda a boa vontade do mundo para um clube do exterior - nem esses nos quais Guiñazu jogaria. Taison, Walter, Tales Cunha, Andrezinho e Giuliano têm potencial, mas o clube deveria escolher um ou dois e apostar mesmo neles - juntos no elenco, jogando muito de vez em quando, nenhum deles vai vingar.

A negação colorada é um resquício da conquista do Mundial. O Inter venceu o Barcelona, mas assim como o São Paulo, que venceu o Liverpool, não era nem de longe o melhor time do mundo. Pior: era um bom time com um técnico risível (Abel Braga) que tinha ganho a Libertadores com um time montado por Muricy. O Inter tem tudo para abrir um ciclo de dominação, assim como fez o São Paulo, mas precisa descer do salto e colocar os pés na lama.

Muricy, aliás, seria o nome fundamental para o ciclo. Ele é respeitado, entraria no Beira-Rio com moral e poder e faria o time colorado parar de pensar que é o Real Madrid. A vitória do Corinthians foi sobre esse Internacional, um time que bom que se acha sensacional. Para azar de Mano Menezes, agora, também corintianos estão certos de que têm um time imbatível. A Copa do Brasil é corintiana com méritos, Não foi colorada por culpa única de sua autoconfiança doentia. A liderança no Campeonato Brasileiro não é acaso, mas só será colorada na 38a. rodada se a arrogância diminuir.

Muricy no Palmeiras...

O que Leco fará para convencer o São Paulo e os sãopaulinos que fez um grande negócio ao demitir Muricy para ele ir ao Palmeiras? Especialmente depois da fantástica partida do Tricolor "francês" contra o Coritiba?

Corinthians...o melhor do mundo?

Ontem, casualmente, meu dial do rádio do carro passou pela Jovem Pan. A mesa discutia um assunto relevantíssimo: se o Corinthians era o melhor time do Brasil. Flavio Prado afirmava que sim. Ia além: ele tinha dúvidas se o Corinthians não venceria o Barcelona, tal era a sua fase. A ponderação sensata, como sempre veio de Claudio Carsughi, o mestre (mesmo, e não "mais um" mestre). "Num jogo seco, não é impossível. Num campéonato de pontos corridos, ficaria atrás do Barcelona, com muitíssima distância.

Excitado, Flavio Prado foi além: o time do Corinthiand de hoje, segundo ele, é muito melhor do que o Real Madrid que jogou o Campeonato Espanhol. Assim, no mínimo, ficaria em segundo lugar - e com pouca distância. Foi quando desliguei o rádio.

Ainda que respeitando a opinião de Flavio Prado (afinal, é um direito inalienável de qualquer um), acho que esse tipo de observação é um desserviço ao ouvinte. Depois de uma conquista (merecida), é claro que o entusiasmo com o Corinthians aumente, mas comparar o time do Mano com Barcelona, Real Madrid ou qualquer grande europeu é uma piada, desconhecimento de causa ou má fé.

Pode ser piada, porque não há nenhum jogador no Corinthians que tenha nível para jogar no Real Madrid (nem no do Campeonato Espanhol bem em nenhum outro). Cabe lembrar que exatamente o mesmo Ronaldo - de muitíssimo longe o melhor corintiano do elenco - não conseguia jogar num Real Madrid pior do que o da última temporada.

Pode ser desconhecimento, porque não é impóssível que um comentarista se informe melhor sobre um campeonato do que outro. Como sei que Flavio Prado é um profissional ocupado, é possível que ele não acompanhe de perto a Liga. assim, saberia que Sneijder é melhor do que Wellington Saci, que Huntelaar tem mais mercado que Jorge Henrique e que Diarra é consideravelmente melhor do que Cristian.

Má fé, sinceramente, eu prefiro não acreditar. Flavio Prado não é um jornalista que precise fazer uso de artimanhas para conseguir ibope com torcedores. Já é conhecido o suficiente. Há casos que, outros "jornalistas" sabem que estão falando asneira mas preferem assim porque aumentam o seu prestígio. Me lembro agora de um comentarista de um canal de TV a cabo que tem duas bandeiras: defender a CBF e Dunga e falar sempre bem de Flamengo e Corinthians. Assim, ele garante a sua "simpatia" com todo mundo. Ele certamente está politicamente bem no mercado, mas é um negligente de último nível com a sua responsabilidade, que é a de dizer a verdade.

23.6.09

A Juve de Ferrara...até agora

Com algum atraso, entrego aos visitantes uma olhada em como seria a Juventus de hoje.A principal diferença em relação ao time de Claudio Ranieri é a alteração do fluxo de ataque. Com Ranieri, a Juve era um time que buscava insistentemente as jogadas pelas laterais, tendo o centro do meio-campo fechado por uma dupla de ferrolhos (Sissoko e Zanetti), num 4-4-2 tradicional.

A chegada de Diego altera isso completamente. O cerne da armação passa a ser no brasileiro, que tentará dar á Juventus um pouco mais de técnica no setor, apoiado por trôlantes hábeis na retenção e proteção da bola. Marchisio é o que tem um pouco mais de liberdade para avançar, especialmente pela direita. Isso porque a faixa destra do time tem em Zebina um zagueiro que se arrisca pouco, enquanto na esquerda, seja com Molinaro, seja com Grosso (caso seja contratado), a idéia é a de um "fluidificante" (nome dado pelos italianos aos laterais que descem ao ataque) que componha o meio-campo e chegue à linha de fundo. No ataque, dois jogadores fortes fisicamente, com presença de área, mas que também têm velocidade e sabem se mexer.


A defesa juventina é que ainda inspira cuidados. Zebina não é o jogador menos atrapalhado do mundo; Cannavaro e Chiellini, como se viu na Copa das Confederações, não passam por seus melhores momentos e Molinaro ainda não atendeu às expectativas, além de estar se recuperando de uma lesão séria. Verdade, ainda há Buffon. Para sorte da Juve, pelo menos o novo técnico, o ex-zagueiro juventino e "azzurro" Ciro Ferrara, conhece a posição.


PS: Todos os esforços serão feitos para analisar a Internazionale nesta quarta...

Sem Muricy, com Leco

Eu sei que é notícia velha, mas o tempo impediu que eu comentasse o assunto antes. Finalmente, depois de três anos de luta (nos quais Muricy ganhou três títulos brasileiros), o diretor Carlos Eduardo Barros e Silva, o Leco, finalmente conseguiu o que queria: sacar o treinador do São Paulo unica e exclusivamente para provar o seu poder.

Não é preciso dizer que o clube vai se arrepender da decisão, assim como a parte da torcida que queria a cabeça do tricampeão. Não só porque Muricy certamente vai para o Internacional (onde será tetracampeão com toda certeza), mas também porque a aposta em Ricardo Gomes é perdida desde o minuto zero. Ricardo teve uma temporada boa na carreira, no Bordeaux, em 2007. Antes e depois disso, fracassou retumbantemente.

Leco é um remanescente da política tricolor anterior à chegada de Juvenal Juvêncio. Era o diretor de futebol do presidente Marcelo Portugal Gouveia e como não demonstrou a menor competência para o cargo, foi substituído pelo próprio Juvenal que, posteriormente, viria a ser o presidente. Os argumentos e Leco em relação a Muricy sempre foram dignos de dó. É impossível acusar um treinador tricampeão (que não é tetra porque comprovadamente o Corinthians ficou com um título forjado na corrupção) de qualquer coisa ligada à incapacidade. Muricy não tem o perfil de jogar bem torneios de mata-mata, é verdade. Mas num time como o São Paulo, que não é brilhante, jogadores como Hernanes, Jorge Wagner, Dagoberto e Miranda despencam de produção, não existe possibilidade de que não se decline. Ademais, todos os clubes apresentam momentos de reorganização depois de sequencias vitoriosas. Esse ano seria o do São Paulo.

Mas não será. Isso porque Ricardo Gomes - salvo um grande engano da minha parte - não chegará ao final do Brasileiro. Ele não tem nem fibra para suportar a pressão nem inventividade tática para rearrumar o time O elenco é razoável para os padrões brasileiros (nada além disso), jogadores como Washington claramente criaram uma cisão no grupo e o motor do time nas últimas três temporadas, a defesa impenetrável, ruiu. O São Paulo perdeu as jogadas pelas laterais e por isso, Washington virou um jogador burocrático. Nomes fundamentais do elenco, como Richarlyson, Dagoberto, Zé Luis, além dos já citados Hernanes e Jorge Wagner, estão jogando com 10% da capacidade. Borges encerra seu contrato em dezembro e ao que parece, não há uma grande sequencia de contratações para chegar ao Morumbi. Leco pode ir dormir tranquilo. Conseguiu fazer com que o São Paulo retornasse aos padrões gerenciais falimentares de sua gestão. Pode até ser que, graças à sua incrível visão e perspicácia, o São Paulo consiga uma vaga na Copa Sulamericana. Já será um grande feito, dados os seus limites.

17.6.09

Já Foi

PS: o aparente cancelamento da contratação de Cissokho não invalida o post abaixo; fica claro que o Milan quer um fluidificante (defensor lateral que apoia o ataque) e não um homem de contenção como Chiellini era antes da Eurocopa, por exemplo. Pirlo disse que não sai, mas essa história ainda terá outros capítulos...

Aos torcedores do Milan que temiam pela saída de Andrea Pirlo, pêsames. O mediano - o melhor do mundo na posição - vai para o Chelsea, ainda que não haja oficialidade e que Chelsea e Milan estejam aguardando alguns dias depois da reação à saída de Kaká da Itália. As declarações do meio-campista sobre "essa ser a hora certa de uma mudança" são significativas o suficiente. Mas se a coisa parece definida,não terá sido por uma razão só.

Pirlo é certamente o cerne de jogo do Milan - até mais do que Kaká era. O brasileiro representava o craque decisivo nos 30 metros finais do campo, mas a organização do jogo era feita pelo italiano. Mesmo com toda essa importância, é preciso entender que o Milan, por decisão de seu dono, Silvio Berlusconi, decidiu que Ronaldinho é o novo homem chave. Assim, como Pato não é físico o suficiente para reger um ataque sozinho, o Milan passa a ter um esquema 4-3-3 quase que por obrigação.

O problema é que no 4-3-3, é fundamental ter três medianos forte fisicamente para compensar a leveza dos atacantes. Scolari tentou fazer isso no próprio Chelsea para onde Pirlo deve ir, com Essien suportando Ballack e Lampard e fracassou fantasticamente. Com Pirlo, um desses três já fica ocupado e mesmo com Gattuso, o setor já fica frágil demais - especialmente para quem não tem uma defesa impenetrável.

Aparentemente, a venda de Pirlo já está decidida há mais tempo do que parece. A contratação de Cissokho é uma prova disso. O 4-3-3 desse novo Milan fortalecerá o miolo do meio-campo para liberar os laterais. Um meio-campo com Gattuso, Flamini e Seedorf (ou Ambrosini) é bom o suficiente, ainda que não mais o setor 'world class' que venceu a Liga dos Campeões.

Além disso há o fator econômico. Raciocinando com a lógica de recuperar o prejuízo financeiro do Milan, uma oferta de €30 milhões por um jogador de 30 anos, por melhor que ele seja, é irrecusável.

Um último fator é a reformulação "teórica" do time. É claro e notório que Leonardo foi imposto por Berlusconi contra a vontade dos "senadores" Pirlo, Gattuso, Maldini e companhia. Sem Pirlo, é um homem a menos do regime anterior para causar possíveis instabilidades.

No novo formato, o jogo do Milan diminui sua dependência do jogo de passes no meio-campo, baseados unica e exclusivamente na habilidade dos seus craques, para criar jogadas pelas laterais, possibilidade de uma marcação mais asfixiante, avanço da linha defensiva, tudo girando o comando do jogo para Seedorf e Ronaldinho, com um centroavante na área (Dzeko e Borriello) e Pato buscando as laterais. É um bom time? Sem dúvida, mas como disse Maldini, não o suficiente para figurar como candidato à LC. Outra coisa: é um time de difícil manipulação tática. Tenho minhas dúvidas da capacidade de Leonardo em gerenciar esse desenho em sua primeira aventura no banco.


PS: Amanhã, tempo permitindo, este blog traz alternativas para Juve e Inter com as contratações até agora.

12.6.09

A fatura de 2006

Nem parece a Itália. Enquanto espanhóis e ingleses fazem a feira comprando os melhores jogadores, os italianos (exceção feita à Inter) precisam se esfalfar para conseguir um jogador ainda em ascensão como Dzeko (Wolfsburg). O que aconteceu?

90% da crise italiana não é resultado da crise financeira e sim do escândalo de 2006. Milan e Juventus foram alijados à época. A Juventus caiu e muito mais passou por baixo do pano do que a simples punição de alguns pontos ao Milan (um acordo de cavalheiros entre dirigentes fez com que o clube não caísse mas com restrições de outra ordem). Tirar os dois maiores clubes de circulação (e diminuir as suas receitas) fez com que todo o "sistema Calcio" fosse enfraquecido. Os grandes não podiam comprar jogadores dos clubes menores, que ficavam com menos dinheiro e assim vai.

Outro problema foi a vitória na Copa - o que é um paradoxo. O sucesso deu cacife para a cartolagem poder colocar embaixo dos panos todo o escândalo de 2006. Ninguém foi preso. Envolvidos no caso como o ex-árbitro Carlo Longhi, o "jornalista" Enzo Biscardi e os vários dirigentes de Lazio, Fiorentina e Milan passaram em branco. A estrutura se manteve - podre e ineficiente - e a liga acelerou a decadência.

O resultado se vê agora. Milan, Juventus e Inter não são mais os clubes "grandes" para comprar. Quem compra é a Inter e ainda assim por causa do bolso de Massimo Moratti e da sua companhia. petrolífera Saras. Se o Real Madrid vai atrás de Kaká, digamos, o Milan tem como ir atrás de Marcelo ou Felipe Melo, para pegar elementos da mesma seleção. Para 2010, a Lega Calcio anunciou o início de uma gestão profissional. Essa gestão só funcionará se for realmente profissional e não só da boca para fora.

11.6.09

Caminhos perigosos

Quando Michel Platini, presidente da Uefa, pede por transparência e equilíbrio no mercado de transferências e na propriedade dos clubes, ele não está falando de ideais: está falando de mercado. O espiral econômico que clubes como o Manchester City e o Real Madrid estão impondo ao mercado não tem base na economia real e mais cedo ou mais tarde, a casa vaio cair.

Não existe, entre clubes como Manchester United, Milan e Real Madrid, uma diferença tão abissal que permita a um deles (no caso, o clube espanhol) consiga ter um poder financeiro tão maior que os rivais. Em todos os casos de clubes gastadores, os clubes estão aumentando suas dívidas. No Chelsea, o credor é Roman Abramovich; no City, aquele sheikh sem noção. E no Real?

Dizer que o Real consegue faturar mais com marketing, com direitos de transmissão, com facilidades discais, faz sentido. Mas não a ponto de o clube poder gastar US$150 milhões (porque ainda vai comprar Villa e Silva) enquanto os rivais investem 20% disso. A megacapacidade de gastos do Real não é clara e a menos que haja alguma mágica, muito arriscada.